domingo, 1 de maio de 2011

Sem Estrela





A morte ia comigo e eu, com ela.
E vi o seu ridículo vestido,
o andar desajeitado e sem sentido,
o rosto com penteado de donzela,

sendo tão velha, velha, no ruído
de suas meias e sapatos de heras.
Então não resisti e me ri dela,
caçoava de seus gestos confundidos.

E desta sisudez que nada espera,
mas sabe que na vida um só gemido
pode fazê-la emudecer. Insisto

em rir de sua passagem sem estrela,
sem grandeza nenhuma. E se resisto,
é porque está em mim quem vai vencê-la. 


Carlos Nejar

sábado, 23 de abril de 2011

Respostas



Para o medo,
Coragem.
Se for ódio,
Amor.
Ansiedade,
Confiança.
Para o tempo ido,
Recomeço.
Desilusão,
Novos sonhos.
Ceticismo,
Deus.
Para a dor da perda,
Consolo.
Em meio a tragédia,
Solidariedade.
Quando for culpa,
Perdão.
Para os indiferentes,
Empatia.
Hipocrisia,
Com verdade.
Na velhice,
Carinho.
Solidão,
Um abraço.
Para quem se perdeu,
O Caminho.
A humanidade alienada de Deus,
Graça.
Quando enfim, a morte,
Última questão desta vida,
...
Primeiro dia,
...
Segundo dia,
...
Terceiro dia,
...
O túmulo está vazio:
- Ele ressuscitou!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O pastor e a ovelha





Não são as cercas que te prendem,
Nem o pasto que te basta,
Nem a quietude dos riachos,
Ou a segurança do rebanho.
Não é o medo, nem a solidão.
É o que tu és, tua essência.
Seja inverno, verão, ou estiagem,
Nos vales, campos, montes, ou bosques.
Eu te conheço.
Tu me conheces.
Se errares o caminho,
Quando as trevas densas te cercarem,
Confia no que é, ovelha.
Confia no que sou, pastor.
Há abismos que te rodeiam,
E os perigos que te cercam,
Não poderiam te impedir
De ouvires a minha voz,
A chamar pelo teu nome.
E mesmo ferida, eu te ouço,
Não temas!
Minha vara e cajado te consolam,
Teu a aprisco te espera.