domingo, 20 de junho de 2010

A Beira do Caminho




Eu não sou, estou.
É o muro, é o limbo, é o escuro.
É não ir, nem voltar.
É o dia igual a noite.
É o Sul igual ao Norte.
É menos que vida,
É quase morte.


Densas trevas, tremulas mãos
São roupas sujas, pés no chão.
De quem espera um milagre,
Mas se contenta com o pão.


Um dia, uma estrada, uma hora,
Sem cerimonias, prenúncios, avisos,
O alvoroço da multidão denuncia tua chegada.
Mesmo a beira do caminho,
A margem desta estrada
Hoje é um dia especial.


Não tenho o luxo das opções,
Nem mesmo compreendo a razão da minha esperança,
De repente, balbúrdia, gritos, empurrões,
És tu, que caminhas entre nós,
Que caminhas como nós,
Que para mim, és o Caminho.


Para alguns, tu és alguma coisa,
Mas para mim, que nada tenho, tu és tudo.
Não me restam dúvidas,
Tenho a invisível certeza improvável,
Por isso, como soldado, em meio a guerra,
Com arma em punho, e o último tiro,
Atiro.

Acerto o teu coração:

- "Jesus filho de Davi, tem misericórdia de mim".


Ninguém está tão a margem
Que de Deus seja excluído,
Nem a noite mais terrível
Pode do sol se ocultar,
Tu me perguntas, mas já sabes:

-"Quero ver, te enxergar".

Sim, este dia foi especial.